Domingo, Novembro 15, 2009



Exposição de:

Augusto Alves da Silva

Sem Saída

Ensaio Sobre o Optimismo

Museu de Serralves

de 23 de Outubro de 2009 a 31 de Janeiro de 2010


Augusto Alves da Silva (n. 1963, Lisboa) é um dos mais importantes artistas portugueses revelados na década de 1990. Embora não trabalhe exclusivamente com a fotografia, é neste meio que tem executado alguns dos trabalhos mais marcantes no contexto artístico português dos últimos vinte anos. Augusto Alves da Silva tira partido da ilusória neutralidade da fotografia e dos códigos convocados automaticamente por determinados regimes de imagens (paisagem, retrato), apresentando imagens claras, nítidas, em que o excepcional nunca salta à vista, antes tendo de ser procurado; em que, no fundo, nunca nada é dado a ver de forma imediata, promovendo um diferimento que desmente retrospectivamente, consoante olhamos mais atentamente para cada imagem, aquilo que, num primeiro olhar, ela parecia significar. Esta será a primeira exposição retrospectiva de um dos mais importantes fotógrafos portugueses da actualidade.

As minhas imagens são claras e o que nelas aparece é reconhecível. São, de certa forma, aquilo que um fotógrafo amador tenta fazer quando traz fotografias das viagens para mostrar aos amigos (...)
Quero que as minhas imagens, porque aparentemente cristalinas, possam cativar quaisquer pessoas, para depois confundi-las. Se se sentirem confusas é porque estão a raciocinar. Talvez comecem a não tomar como garantido aquilo que está à frente delas.
Augusto Alves da Silva

Exposição a não perder.

Sexta-feira, Novembro 13, 2009

Amor Sádico

Já não te amava, sem que meu desejo
fugisse à sombra de teu amor distante.
Já não te amava, e contudo o beijo
de uma repulsa nos uniu um instante...

Acre prazer tornou-me seu possessso,
crispou-me a face, mudou meu semblante.
Já não te amava e turbei-me, não obstante,
qual uma virgem entre um bosque espesso.

E já perdida para sempre, ao ver-te
amanhecer sob o eterno luto,
- mudo o amor, o coração inerte -,

atroz, esquivo, rigoroso, hirsuto...
Jamais vivi como naquela morte,
jamais te amei como num tal minuto!

Julio Herrera y Reissig (1875-1910)

Fotograma do filme "The Pillow Book" (1996)
do realizador Peter Greenaway

Quinta-feira, Novembro 12, 2009

Um extrovertido tímido, um realista surreal,
um iconoclasta que ansiava por tornar-se ele mesmo um ícone,
um homem que podia beber com polícias num dia,
assistir a filmes pornográficos com Dali no outro,
fazer amor com algumas das actrizes mais belas do mundo
e morrer solitário em sua cama depois de uma vida inteira
de auto-abuso absolutamente heróico,
ou pelo menos incontestavelmente artístico.

O homem que se parecia com uma tartaruga elegante
foi compositor, escritor, realizador de cinema, cantor, fotógrafo,
intelectual, artista plástico, actor, bêbado, provocador e amante.
Populista, fez de tudo.
Por não dominar o inglês, não conquistou o mundo.
Serge Gainsbourg criou as mais verdadeiras e belas histórias de amor
nas letras das suas músicas. Sempre as ouvimos,
agora podemos tentar perceber
o que na vida lhe acontecia
para que as escrevesse assim.

Aqui fica apenas um pequeno aperitivo do filme.

Quarta-feira, Novembro 11, 2009


capa do disco de 45 rpm
1ª edição do ano de 1969
com arranjos e supervisão de Thilo Krasmann

Pedra Filosofal

Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.

Eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento
bichinho álacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa, através de tudo
num perpétuo movimento.

Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa-dos-ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é Cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
pára-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra-som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.

Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida
Que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.

in Poesias Completas
de António Gedeão

Domingo, Novembro 08, 2009

Sábado, Novembro 07, 2009

Paris testemunhou mais acontecimentos importantes do que qualquer outra grande cidade, desde guerras, terror e invasões até grandes levantes políticos e revoluções artísticas. Foco de inúmeras gerações de admiradores e detractores, a cidade evoca imagens vividas até mesmo naqueles que nunca lá estiveram. Nenhum lugar na terra foi mais percorrido e mais imortalizado pela literatura, pelas artes plásticas, pelo cinema, pela fotografia e pela música.

"Paris é o mundo, o resto do planeta Terra é apenas seu subúrbio."
Marivaux

in Paris - Biografia de uma cidade
de Colin Jones

Terça-feira, Outubro 27, 2009

Paradise according to Borges
Gabriel Caprav

Domingo, Outubro 25, 2009


The Polish Girl, 1933
Pintura de Tamara de Lempicka

Sábado, Outubro 24, 2009

Capa da edição de Outubro de 2009 da revista Photo
O artista parisiense Willy Ronis foi o primeiro fotógrafo
de nacionalidade francesa a trabalhar para a revista Life.
Recebeu diversos prémios entre os quais
a medalha de ouro na Bienal de Veneza em 1957
e o grande prémio Nacional das Artes e Letras.

Com um trabalho que atravessa grande parte
do século XX, Willie Ronis começou por se inspirar
nos percursos de Alfred Stiegliz e de Ansel Adams,
tendo exposto ao lado de nomes
como o de Cartier-Bresson.

Para além da fotografia dedicou-se às reportagens,
às ilustrações e deu aulas nas Belas Artes de Avignon.
Willy Ronis morreu aos 99 anos a 12 de Setembro de 2009.

Terça-feira, Outubro 13, 2009

O desejo é o gatilho erótico de todas as revoluções (...).

Inês Pedrosa
in Revista Única (Jornal Expresso)
22/7/2006

Sábado, Outubro 10, 2009


Sunday, 1926
Pintura de Edward Hopper

Sexta-feira, Outubro 09, 2009

Annabel Lee

Foi há muitos e muitos anos já,
Num reino de ao pé do mar.
Como sabeis todos, vivia lá
Aquela que eu soube amar;
E vivia sem outro pensamento
Que amar-me e eu a adorar.

Eu era criança, e ela era criança,
Neste reino ao pé do mar;
Mas o nosso amor era mais que amor -
O meu e o d'ela a amar;
Um amor que os anjos do céu vieram
a ambos nós invejar.

E foi esta a razão porque, há muitos anos,
Neste reino ao pé do mar,
Um vento saiu d'uma nuvem, gelando
A linda que eu soube amar;
E o seu parente fidalgo veio
De longe a me a tirar,
Para a fechar num sepulcro
Neste reino ao pé do mar.

E os anjos, menos felizes no céu,
Ainda a nos invejar...
Sim, foi essa a razão (como sabem todos,
Neste reino ao pé do mar)
Que o vento saiu da nuvem de noite
Gelando e matando a que eu soube amar.

Mas o nosso amor era mais que o amor
De muitos mais velhos a amar,
De muitos de mais meditar,
E nem os anjos no céu lá em cima,
Nem demónios debaixo do mar
Poderão separar a minha alma da alma
Da linda que eu soube amar.

Porque os luares tristonhos só me trazem sonhos
Da linda que eu soube amar;
E as estrelas nos ares só me lembram olhares
Da linda que eu soube amar;
E assim estou deitado toda a noite ao lado
Do meu anjo, meu anjo, meu sonho e meu fado,
No sepulcro ao pé do mar,
Ao pé do murmúrio do mar.

Edgar Allan Poe

Segunda-feira, Setembro 28, 2009

Let life happen to you.
Life is in the right, always
Rilke

Quarta-feira, Setembro 23, 2009


Dessin au Ciel de Utsurohi,
Fotografia de Paulo Moura
Paris 2009

Quinta-feira, Setembro 10, 2009


"Singularidades de uma rapariga loura"
este mês é capa da mais conceituada revista de cinema.
Catarina Wallenstein, encarna Luísa Vilaça
no filme de Manoel de Oliveira.

Na sua edição de Setembro a revista dedica
as 11 primeiras páginas ao autor do filme
baseado no conto de Eça de Queiroz.

Quarta-feira, Setembro 09, 2009


Fotografia de cena do filme "Gainsbourg , Vie héroïque":
Brigitte Bardot (Laetitia Casta) e Gainsbourg (Eric Elmosnino)
compondo as primeiras estrofes de "Comic Strip".

ilustração de Alberto Vargas


Dádiva

A flor que me não deste
e, esquiva, recusaste,
naquela tarde triste,
naquela tarde agreste,
- uma rosa amarela
debruçada na haste -
foi afinal aquela
a flor que me entregaste,
p'ra sempre me entregaste,
naquela tarde triste,
naquela tarde agreste!...

Saúl Dias
É o espectador, e não a vida,
que a arte verdadeiramente reflecte.

Oscar Wilde, prefácio a
O Retrato de Dorian Gray
Guardei a solidão dos primeiros livros. Levei-a comigo.
Levo sempre a minha escrita comigo, aonde quer que
vá. A Paris. A Trouville. Ou a Nova Iorque.

Marguerite Duras
in Escrever
O único homem feliz é o que não toma nada a sério.
Quanto mais as coisas se tomam a sério mais infeliz se é.
O que toma a sério a sorte da humanidade é quase o
mais infeliz de todos os homens... Quase: o que toma a sério
a sorte do mundo e o enigma do universo é ainda mais infeliz.

Fernando Pessoa
in Livro do Desassossego
"A vida é demasiado preciosa
para ser esbanjada
num mundo desencantado"

diz a certa altura um dos protagonistas
do romance Jesusalém do escritor
moçambicano Mia Couto

Sábado, Setembro 05, 2009


40 anos depois do mítico "Je t'aime moi non plus"
ao lado do autor e seu companheiro Serge Gainsbourg,
Jane Birkin volta a cantar em Lisboa.
Birkin editou recentemente "Enfants d'hiver",
album em que pela primeira vez assume todas as letras,
o que significa uma intensa viagem ao seu universo íntimo.
É esse o trabalho que vem apresentar ao CCB.
Jane, alvo de culto, requisitada por nomes
do universo alternativo como Beth Gibbon, Feist,
Bryan Ferry e Divine Comedy virá cantar
dia 8 de Outubro de 2009
ao Grande Auditório do CCB
em concerto único pelas 21h00.

A não perder, calha numa 5ª feira.

Quarta-feira, Setembro 02, 2009

O tempo é como um rio,
o fluxo irresistível de todas as criações.
Assim que surge uma coisa,
logo passa, para ser substituída
por outra coisa, também ela passageira.

Marco Aurélio
in Meditações

Domingo, Agosto 02, 2009


Arround the Table (writers) 1872
de Henri Fantin-Latour

Segunda-feira, Julho 20, 2009


Fotograma do filme
Le Voyage dans la Lune,
de Georges Méliès
1902

Esta é uma das histórias mais auspiciosas de Verne,
que "inventou" uma ida à Lua em 1865, altura em que
praticamente ainda não havia informações sobre
que exigências deveria ter o canhão para que,
de facto, o seu projéctil chegasse à Lua.
Da Terra à Lua é uma divertida história de ficção-científica,
um dos primeiros romances do género na história da literatura,
que inspirou o filme Le Voyage dans la Lune, de Georges Méliès,
um dos pioneiros do cinema.

A trip to the moon (1902)
Um filme de Georges Méliès

The Police
Walking on the Moon
capa do 45rpm
1979